Plano de Curso – 2014

Escola Estadual Vitória Furlani da Riva

Alta Floresta

Mato Grosso

Planejamento de Aulas

Língua Inglesa

Dagmar Costa Campos

Jean Carlos Rezende Santos

Março de 2014

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Whatever the cost of our libraries, the price is cheap compared to that of an ignorant nation.

(Qualquer que seja o custo de nossas bibliotecas, o preço é mais barato do que aquele de uma nação ignorante).

Walter Cronkite

Introdução

 

O ensino de língua inglesa no sistema estadual vem se mostrando uma longa e enfadonha mentira. Estudantes são desmotivados e enganados por anos e não há nenhum constrangimento ao se perceber que após demasiado tempo os resultados são pífios. Aulas de repetição burra, sem objetivos claros e sem inspiração. Estudantes e professores convivem com o tédio e vagam sem rumo. O tempo de aulas que o Estado destina para a Língua Estrangeira Moderna – Inglês evidencia claramente a falta de vontade para que os estudantes aprendam de fato a língua mais importante em nossa contemporaneidade, levando-se em conta o aspecto globalizante de nossa sociedade.

É preciso mudar a forma e mirar objetivos reais. E fazer isso levando em consideração que a sala de aula tem que ser agradável para todos que a frequentarem. Também énecessário compreender que o ensino de uma língua não se dá pela substituição de conteúdos simples pelos avançados, e sim pelo acúmulo de conhecimento, onde cada mínimo aprendizado tem que ser bem assimilado.

 

Objetivos

 

O objetivo é mostrar aos estudantes que a mais relevante barreira entre eles e a língua inglesa são eles próprios. Através do uso de linguagem real, como, por exemplo, filmes, músicas e poemas, o professor promoverá uma aproximação entre dois mundos divergentes, estudantes e língua inglesa, e criará um ambiente convergente. Os estudantes poderão compreender, com o tempo, que existem ferramentas ao seu alcance que possibilitarão seu contato com a língua que uma vez consideraram alienígena.Os estudantes deverão ser instigados a compreender que podem alcançar um nível de comunicação universal, adquirindo habilidades para se sentirem parte de um todo, e não ficarem excluídos de campos que se expandem a cada hora, com conhecimentos que uma vez pareceram distantes deles. Técnicas serão repassadas a eles, e assim, de posse das chaves do conhecimento, caberá a eles destravarem, ou não, as portas que ampliarão suas mentes.

 

 

Desenvolvimento

 

É fundamental ressaltar que o professor precisa ter a capacidade de compreender e se aproximar das mentes de seus estudantes, e, também, ter ótimo domínio do conteúdo e de suas próprias capacidades e limitações. Como Sun Tzu já ressaltou, aquele que não conhece a si mesmo e nem conhece seu oponente, está fadado à derrota, enquanto aquele que conhece a si mesmo, nas não conhece seu oponente, perderá uma batalha para cada uma que vencer, ao passo que aquele que conhecer a si mesmo e conhecer seu adversário, é destinado a vencer sempre. Que fique claro que não se deve visualizar os estudantes como inimigos, mas sim como o principal objetivo.

As aulas não serão conduzidas com foco na gramática. O caminho será permeado por textos que soem interessantes para os estudantes. Tendo cativado sua atenção, tópicos de gramática serão apresentados para a elucidação de dívidas. O ensino não deve ser feito em camadas superpostas, onde a mais nova eclipsa a anterior, deve ser encarado como um todo. A cada obra visitadavárias oportunidades surgem para se mencionar e explicar conteúdos, e essas devem ser aproveitadas para reforçar o conhecimento dos estudantes. Assim, a gramática entrará como necessidade para compreender os porquês da linguagem, e não como uma imposição a ser decorada pelos estudantes.

Os conteúdos trabalhados incluem, mas não se limitam à:

  • Artigos;
  • Regras de plural;
  • Classes de palavras;
  • Simple Present;
  • Simple Past
  • Simple Future
  • Present Continuous;
  • Past Continuous;
  • Superlativo;
  • Pronomes;
  • Cognatos;
  • Phrasal Verbs.

 

O professor deve também ter um bom conhecimento de literatura, para poder extrair o máximo de cada obra trabalhada e observar detalhes que muitas vezes passariam despercebidos aos estudantes, como, por exemplo, a teoria de A Jornada do Herói permeando diversas histórias.

Pensando também na aproximação e no contato entre estudantes, professores e conhecimento, o material trabalhado ficará disponível em um blog, criado especificamente para dar suporte e propiciar um meio dos estudantes acessarem o conteúdo quando e onde desejarem. O blog em questão chama-se Trip at the Brain (tatbrain.wordpress.com).

Dos poemas e das músicas: Sempre serão expostos no quadro da sala de aula para que seja necessário a cópia dos versos pelos estudantes, e assim haver contato intenso com a língua estudada. E os próprios estudantes farão a tradução, mas com o auxílio imediato do professor, que atuará como suporte, traduzindo palavras isoladas, apontando o funcionamento de estruturas, fazendo-os compreender idéias sobre tradução. Eles serão alertados constantemente de que traduzir não é simplesmente olhar as palavras no dicionário, e sim é compreender as idéias em um idioma, preservando sempre as idéias, e, se necessário, alterando as palavras. O conceito de tradutor-autor deverá ser enfatizado, pois este esclarece que ao fazer uma tradução a pessoa também se torna autora, a medida que escreve um novo texto, daí o tradutor não é mais um escravo do texto, e passa a ser seu criador.

Dos filmes: Filmes apresentam oportunidades amplas de uso em sala de aula, ainda mais no que tange ao ensino de língua inglesa. Assim, é imperativo o uso destes. Entretanto, deve-se ressaltar que os filmes apresentados sejam criteriosamente selecionados para que estes possam também se desdobrar em chances de dialogar sobre assuntos diversos, como, por exemplo, desigualdades, preconceitos, pontos de vista, influência da mídia na vida das pessoas, literatura, acontecimentos históricos, enfim, uma infinidade de opções. As culturas das minorias (realmente é correto falar em minorias quando vivemos num país tão diverso?) tanto aclamados e recomendados pela SEDUC podem todos ser abordados aqui, caso o professor tenha conhecimento e imaginação para utilizar as ferramentas adequadas.  E ainda existem aberturas para ações interdisciplinares, envolvendo demais professores que tenham abertura para tal.

Inicialmente a maioria dos estudantes vem de um engessamento no que tange a filmes legendados. Sair da doutrina da dublagem lhes é doloroso, e por isso o professor não deve sangrar a ferida inicialmente. O primeiro contato pode ser com filmes dublados, e com legendas e inglês, de forma que sejam estimulados a trabalhar no enriquecimento de seu vocabulário. Esta atividade também serve para fazer os estudantes perceberem que não são tão limitados quanto pensam, uma vez que já conhecerão um vocabulário razoável, em sua maioria. Com o transcorrer do curso, os estudantes irão se familiarizando com a língua, adquirindo mais e mais vocabulário e se sentindo cada vez mais confortáveis com a língua estrangeira. Assim, chegará um momento em que ocorrerá a transição para os filmes com o som original, em inglês, e cabe ao professor ter a sensibilidade e habilidade para perceber tal deixa.

Do material capturado da internet: Pôsteres (Ads), anúncios publicitários que serão trabalhados quanto à estética, à tradução e interpretação dos mesmos; Citações (Quotes), que serão coletadas de sites como Good Reads (www.goodreads.com) e servirão para que os estudantes descubram pensadores com conteúdo relevante para sua formação enquanto cidadãos, assim como trabalhar a tradução e a interpretação dos mesmos; Anúncios em vídeo (video ads), selecionados de assuntos interessantes para os estudantes, tanto de produtos comerciais como de campanhas publicitárias, capturados em sites de vídeos da internet, que servirão para que os estudantes tenham contato com a língua alvo e observem a pronuncia e a tradução dos mesmos.

Da seleção do material: Reiterando, o material utilizado em sala de aula tem, necessariamente, de tornar a aula agradável para estudantes e professores. Claro que não é possível agradar a gregos e troianos e o professor frequentemente encontrará pessoas que não gostarão de suas escolhas, mas é necessário ter contato com o corpo discente para conseguir buscar material que se aproxime o tanto quanto conseguir das preferências destes. Uma estratégia válida para isso é buscar material que seja associado ou gerador das tendências que os jovens, no caso de uma classe de aula formada por estudantes jovens (salas de SEJA/EJA podem pedir uma busca diferenciada de material). Por exemplo, se os estudantes gostam de rap ou hip hop, pode-se procurar material dos anos 1980s, quando houve a difusão desse tipo de música pelos Estados Unidos. Para se selecionar filmes, uma estratégia válida é procurar filmes cujos diretores sejam reconhecidos por trabalhos impactantes e que promovam a reflexão de questões pertinentes ao ambiente escolar. Por exemplo, Andrew Niccol tem trabalhos que não são blockbusters, mas que possuem idéias simples e insinuantes, que farão os estudantes refletirem sobre questões de suas próprias vidas. Quanto à seleção dos poemas para serem usados, é uma idéia muito interessante enfatizar escritores clássicos e consagrados da literatura em língua inglesa, assim como expoentes que chocaram seu tempo por causa de seus trabalhos originais. Bons nomes são Edgar Allan Poe, Langston Hughes, William Butler Yeats, entre outros. Como o curso é destinado a estudantes em estágios iniciais do aprendizado de língua inglesa, deve-se evitar ícones como Willian Shekespeare, por escreverem textos arcaicos, que complicariam os primeiros passos.

Uma possibilidade que será investigada ao longo do curso será o uso de jogos eletrônicos na sala de aula. É notória a apreciação dos jovens por jogos eletrônicos, e estes podem se tornar ferramentas muito interessante no aprendizado de língua inglesa. Para tanto, será feita uma pesquisa acerca de títulos que podem ter essa função acadêmica.

 

Sugestão de material:

 

Crash, by Paul Haggis

The Truman Show, by Peter Weir

Leon, the Professional, by Luc Besson

Gattaca, by Andrew Niccol

Natural Born Killers, by Oliver Stone

Restoration, by Michael Hoffman

A Knight’s Tale, by Brian Helgeland

Eisenhein, The Illusionist, by Neil Burger

Scent of a Woman, by Martin Brest

In Time, by Andrew Niccol

Watchmen, by Zack Snyder

Crash, by Paul Haggis

V for Vendetta, by James McTeigue

Dead Poets Society, by Peter Weir

The Messenger: The History of Joan of Ark, by Luc Besson

Lutero, by Eric Till

Fight Club, by David Fincher

Seven, by David Fincher

Interview with the Vampire, by Neil Jordan

Million Dollar Baby, By Clint Eastwood

Gangsta’s Paradise, by Coolio

The Winner Loses, by Body Count

I Will Survive, by Cake

Never There, by Cake

Walking Contradiction, by Green Day

Peaches, by PUSA

Gold Digger, Kanye West and Jamie Foxx

Shine on your Crazy Diamond, by Pink Floyd

School’s out for Summer, by Alice Cooper

The Guns of Brixton, by The Clash

The Lake Isle of Innisfree, by W. B. Yeats

My People, by Langston Hughes

Negro Speaks of Rivers, by Langston Hughes

Theme for English B, by Langston Hughes

Strange Fruit, by Abel Meeropol

The Black Cat, by Edgar Allan Poe

The Raven, by Edgar Allan Poe

Django, by Quentin Tarantino

South Park, by Trey Parker and Matt Stone

The Crusher, by The Ramones

Fire and Ice, by Robert Frost

 

Conclusão

 

O trabalho pode parecer demasiadamente complicado, mas em verdade, é simples. Tendo alguns princípios elementares em mente, o professor conseguirá excelentes resultados. A sala de aula tem que ser um ambiente agradável para todos que a freqüentarem o façam sem a sensação de que estão indo para uma masmorra. O professor precisa conhecer seu público, saber o que querem, e saber o que pode dar a eles para que se sintam satisfeitos. A sua aula, no caso a aula de língua inglesa, não é o evento mais importante das vidas dos estudantes, assim, não se irrite demais com desencontros na mesma.

O trabalho é cíclico e a mesma obra pode ser visitada mais de uma vez, e ocasiões diferentes. O importante é continuar sempre fazendo os estudantes descobrirem novas idéias, e perceberem que são capazes de alcançar o conhecimento que desejarem.

 


 

Referências Bibliográficas

 

CAMPBELL, Joseph.  O herói de mil faces.  10.  ed.  São  Paulo: Cultrix/Pensamento, 2005.

CLAVEL, J. A Arte da Guerra – Sun Tzu. Rio de Janeiro: Record, 2000.

PERINI, Mario A. Sofrendo a gramática. São Paulo: Ática, 1996.

POSSENTI, Sírio. Por que (não) ensinar gramática na Escola? Campinas, SP: Mercado de Letras: Associação de Leitura do Brasil: 1996.

 

2 thoughts on “Plano de Curso – 2014

  1. Sei que esse plano de curso tem a data de 2014, mas espero que continue nos próximos anos, pois é algo bem interessante, criativo e diferente, que consegue chamar a atenção e animar os aulos á estudar.
    Se todos os professores pudessem adquirir a esse método de ensino, com certeza teríamos mais alunos interessados ao estudo.
    Parabéns professor pelo seu modo criativo de ensinar.
    Jamile Caioni (2ºA EMIEP)

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